Boletins Farmacológicos

Os atuais documentos de orientação clínica da Organização Mundial da Saúde (World Health Organizantion – WHO) e do Centro para Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos para atendimento de pacientes com doença do coronavírus 2019 (Coronavirus Disease 2019 - COVID-19) destacam que não há tratamento específico para COVID-19 e enfatizam esse manejo deve incluir “implementação imediata das medidas recomendadas de prevenção e controle de infecção e manejo de suporte de complicações, desde tratamento sintomático para doença leve até manejo ventilatório baseado em evidências para síndrome do desconforto respiratório agudo (acute respiratory distress syndrome - ARDS) e reconhecimento e tratamento precoces de infecções bacterianas e sepse em pacientes críticos. No dia 23 de março de 2020, a diretoria geral da OMS anunciou a realização de um grande estudo clínico para testar medicamentos com atividade antiviral contra SARS-CoV-2. Esse estudo já possui registro de protocolo (NCT04321616) e se propõe a avaliar os medicamentos remdesivir, lopinavir/ritonavir, cloroquina/hidroxicloroquina e o papel dos interferons (NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE, 2020; WHO, 2020). No Brasil, a FIOCRUZ é uma parceira nessa iniciativa da OMS.

As Diretrizes para Diagnóstico e Tratamento da COVID-19 do Ministério da Saúde dizem que a indicação de terapias farmacológicas de suporte deve seguir as orientações em bula e respeitar as eventuais contraindicações presentes. Até o momento, não existem evidências robustas de alta qualidade que possibilitem a indicação de uma terapia farmacológica específica para a COVID-19. Desde o final de 2019 vários estudos estão sendo realizados na busca de alternativas terapêuticas para o tratamento da COVID-19. Alguns estudos avaliaram antivirais, corticosteroides, antimaláricos, e até anti-hipertensivos (inibidores da enzima conversora de angiotensina [iECA] e bloqueadores do receptor de angiotensina [BRA]) para o tratamento da pneumonia por COVID-19 ou seus efeitos na doença. No entanto, cabe ressaltar que a grande maioria das terapias não possui registro em bula para uso em COVID-19 (uso off-label). Adicionalmente, muitos dos estudos são baseados no mecanismo de funcionamento dos fármacos, sendo essencialmente teóricos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020).

Diante disso, a assessoria científica do Plano de Ação Interinstitucional de Enfrentamento à Covid-19 da Universidade Federal do Piauí passará a desenvolver levantamentos científicos cronológicos das terapias farmacológicas de suporte, compassivas e sobre as opções medicamentosas que estão sendo consideradas como possibilidade para tratamento da doença, mesmo aquelas consideradas fora da bula. Para a busca de literatura técnica, levar-se-á em consideração o rigor científico seja de resultados provenientes da pesquisa básica e laboratorial e/ou medicina baseada em evidências. Artigos de revisão serão desconsiderados no primeiro momento. Esses levantamentos, após revisão por avaliadores externos, serão publicados na forma de Boletins Farmacológicos com foco em medicamentos em discussão na atualidade e em fases de pesquisas laboratoriais e/ou na prática off-label.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Diretrizes para diagnóstico e tratamento da COVID-19. Versão 3. Disponível em: <https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/18/Diretrizes-Covid19.pdf>. Acesso em: 10 maio 2020. NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. 2020. The efficacy of different anti-viral drugs in COVID-19 infected patients. Disponível em: <https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT04321616>. Acesso em: 12 maio 2020. WORLD HEALTH ORGANIZANTION (WHO). Clinical management of severe acute respiratory infection (SARI) when COVID-19 disease is suspected. Disponível em: <https://www.who.int/publications-detail/clinical-management-of-severe-acute-respiratory-infection-when-novel-coronavirus-(ncov)-infection-is-suspected>. Acesso em: 11 maio 2020.