Sala de Situação

Data da atualização:

29/12/2020, às 10:00h


Versão anterior (22/12/2020)

PAINEL – UFPI – COVID-19

Ordinariamente atualizado a cada duas semanas, a não ser que precise de dados emergenciais.

Veja também:

Atualização epidemiológica

Nota Técnica #17 de 27 de dezembro de 2020 .

Roniele Araújo de Sousa1,2,3, Osmar de Oliveira Cardoso1,4.

1Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP-UFPI); 2Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN); 3Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT/UNL); 4Departamento de Bioquímica e Farmacologia (UFPI).

👉Destaques da nota

Casos e Tendência: depois de atingir a menor média (355 casos) em 19 de novembro e um aumento de 95,7% em 05 de dezembro, os números começaram a diminuir novamente, indicando uma situação de estabilidade.

Óbitos e Tendência: Houve um aumento nos casos até 11 de dezembro e depois uma estabilização dos óbitos, mas com oscilações.

Comparação de casos e óbitos acumulados entre capital e interior: o número de óbitos no interior tem aumentado, sendo que no dia 26 de dezembro, o interior já concentrava 57,0% do total de óbitos do Piauí. Para Teresina, após as aglomerações do período eleitoral, observou-se aumento no registro de casos novos, que atingiu maior média móvel em 5 de dezembro desde o mês de agosto, e depois, uma diminuição até o dia 26 de dezembro.

Disponibilidade de leitos clínicos e UTI: o Piauí tem reduzido os leitos destinados à Covid-19 junto com a redução dos casos e apresenta 64,9% dos leitos clínicos livres, mas o destaque negativo fica para a regional de Carnaubais com apenas 9,5%. Com relação aos leitos de UTI, o Piauí apresenta 49,4% dos leitos UTI disponíveis. A maioria das regiões possui ≥50% dos leitos UTI livres, com exceção de Entre Rios (42,0%) e Serra da Capivara (20,0%).

Média móvel e Taxa média de casos: a maioria das regionais apresentou redução na média móvel após a semana 49, exceto a Chapada das Mangabeiras e Vale do Sambito apresentaram aumento na média móvel da semana 51 para 52.

Média móvel e Taxa média de óbitos: as regionais apresentado estabilidade ou diminuição na média móvel e na taxa média de óbitos por Covid-19 na última semana epidemiológica (52ª semana), exceto a Chapada das Mangabeiras, Serra da Capivara e Vale do Sambito que apresentaram aumento.

Apresentação

O Grupo de Trabalho do Eixo 3 - Sala de situação, do Comitê Gestor de Crise da Universidade Federal do Piauí, integrado por representantes de diversas instituições de pesquisa, vem estudando a evolução e os aspectos da pandemia causada por SARS-CoV-2.

A atualização epidemiológica é importante para o acompanhamento dos casos e óbitos ocorridos no estado do Piauí. Pode-se ver os casos e óbitos diários, acumulados, acompanhar as tendências e também por regionais, facilitando as observações por região, além de verificar as diferenças, que ajudam a explicar e subsidiar decisões a serem tomadas pelos gestores públicos.

1 Evolução de Casos e Óbitos e tendência da Covid-19 no Piauí

1.1 Casos e Tendência

A figura 1 mostra o comportamento dos casos novos desde o início da pandemia no Piauí em uma curva logarítmica, utilizando a média móvel de sete dias. Como se observa, os casos diários começaram a reduzir desde a primeira quinzena do mês de agosto, mas observa-se oscilações nessa tendência de queda. Depois de atingir a menor média (355 casos) em 19 de novembro, a curva começou a subir novamente até o dia 5 de dezembro (695 casos), um aumento de 95,7%, comparando as duas datas. Após o dia 5/12, a média de casos tem apresentado redução até último dia da série histórica (26/12).

Esse indicador busca demonstrar com mais precisão o estágio da pandemia, apresentando um padrão que reduz possíveis distorções por variações nos registros durante os dias. Para calcular, os números de casos ou óbitos dos últimos sete dias são somados e divididos por sete. Ela é móvel porque ao acrescentar os dados dos dias seguintes, os números dos primeiros dias são excluídos, mantendo-se sempre os sete dias para o cálculo.

Figura 01. Representação da curva logarítmica de casos novos diários e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 26 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Até o dia 26 de dezembro, o Piauí registrou 140.245 casos de Covid-19. Ao se observar as regionais de saúde, verificou-se que as mais acometidas foram a Entre Rios (N=64.003), Cocais (N=16.951), Vale do Rio Guaribas (N=13.224) e Planície Litorânea (11.079) que concentram 75,0% de casos no estado (Figura 02).

Figura 02. Número de casos acumulados de Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, até 26 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

1.2 Óbitos e Tendência

A figura 03 apresenta a curva de óbitos diários no Piauí até o dia 26 de dezembro de 2020. Após o pico, que ocorreu dia 10 de julho, e mesmo com as variações observadas, a média móvel de óbitos diários apresentou redução até a segunda quinzena do mês de setembro. Após o início do mês de outubro, os óbitos diários começaram a evoluir até dia 17 de outubro, quando ocorre redução. Novamente, os óbitos crescem do final de outubro até o início de novembro e, posteriormente, sofrem reduções até o fim de novembro. A partir do mês de dezembro, a média dos óbitos começam a crescer até o dia 11/12, que começou a decair novamente até o último dia da série histórica.

Figura 03. Representação da curva logarítmica de óbitos novos diários e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 26 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

O Piauí registrou 2.802 óbitos por Covid-19 até o dia 26 de dezembro de 2020. As regionais de saúde com maior número de mortes continuaram a ser Entre Rios (N=1.472), Cocais (N=297), Planície Litorânea (N=214) e Vale do Rio Guaribas (N=214). As demais regiões representam 21,6% do total de óbitos (Figura 04).

Figura 04. Número de óbitos acumulados de Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, até 26 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

2 Comparativo de casos e óbitos acumulados entre capital e interior

As figuras a seguir permitem comparar o comportamento dos casos e óbitos da Covid-19 entre a capital, Teresina, e o interior do estado.

A figura 05 apresenta o percentual de casos acumulados da Covid-19 até o dia 26 de dezembro de 2020. A capital concentrava a maioria dos casos até o dia 22 de maio, que a partir dessa data se percebe a interiorização da doença no estado.

De modo inverso, a partir do dia 29 de maio, o percentual de óbitos pela doença começa a se concentrar na capital, com aumento até início de julho e decréscimo no final do mesmo mês. No dia 30 de agosto, o número de óbitos acumulados no interior ultrapassa ao observado na capital. A concentração (%) de óbitos no interior tem aumentado, sendo que no dia 26 de dezembro, o interior já concentrava 57,0% do total de óbitos do Piauí (Figura 06).

Figura 05. Casos acumulados (%) da Covid-19 na capital e interior, Piauí, até dia 26 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 06. Óbitos acumulados (%) da Covid-19 na capital e interior, Piauí, até dia 26 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

A figura 07 apresenta os casos acumulados e a incidência cumulativa, por 10.000 habitantes. A incidência cumulativa é o indicador que observa o número de casos da doença pelo número da população, permitindo verificar o local com maior risco para infecção da Covid-19. Portanto, apesar do número de casos ser maior no interior (N=91.837) comparado a capital (N=48.408), observa-se que há ainda maior risco para Covid-19 na capital (Incidência Cumulativa = 557,6 casos/10.000 hab.). O Piauí apresenta uma incidência cumulativa de 427,4 casos/10.000 hab.

Figura 07. Casos acumulados e Incidência Cumulativa (10.000 hab.) da Covid-19 na capital, interior e Piauí, em 26 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

A figura 08 apresenta o comportamento da média móvel dos casos novos desde o início da pandemia até o dia 26 de dezembro em Teresina, em uma curva logarítmica. Como se observa, o maior registro na média móvel de casos foi em 7 de julho (N=359) e, embora tenha apresentado redução com oscilações, a média dos casos ficou em torno dos 200 casos até a segunda quinzena de outubro. Após as aglomerações do período eleitoral, observou-se aumento no registro de casos novos, que atingiu maior média móvel (5 de dezembro: 296 casos) desde o mês de agosto. Após essa data, a média móvel de casos tem reduzido até o último dia da série histórica em Teresina, como se observa também no Piauí (figura 01).

Figura 08. Representação da curva logarítmica de casos novos diários e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Teresina-PI, até 26 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

A figura 09 apresenta os óbitos acumulados e a taxa de mortalidade, por 10.000 habitantes. A taxa de mortalidade é o indicador que observa o número de óbitos pela doença pelo número da população, permitindo verificar o local com maior risco para óbito pela Covid-19. Portanto, apesar do número de óbitos ser um pouco maior no interior (N=1.598) comparado a capital (N=1.204), observa-se que há ainda maior risco de óbito pela Covid-19 na capital (Taxa de mortalidade = 13,9 óbitos/10.000 hab.). O Piauí apresenta uma taxa de mortalidade de 8,5 óbitos/10.000 hab.

Figura 09. Óbitos acumulados e Taxa de mortalidade (10.000 hab.) da Covid-19 na capital, interior e Piauí, em 26 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

A figura 10 apresenta o comportamento da média móvel dos óbitos novos desde o início da pandemia até o dia 26 de dezembro em Teresina, em uma curva logarítmica. Como se observa, o maior registro na média móvel de casos foi em 7 de julho (N=15) e, a partir dessa data, embora com oscilações, o registro dos óbitos apresentou uma redução considerável mesmo com o aumento de casos e os eventos da campanha eleitoral. (Figura 03).

Figura 10. Representação da curva logarítmica de óbitos novos diários e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Teresina-PI, até 26 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

4 Disponibilidade de leitos clínicos e UTI

O Piauí investiu em aumentar o número de recursos para atender a demanda resultante das complicações de saúde durante a pandemia. No entanto, tem reduzido o número de leitos clínicos destinado a Covid-19 (24 de outubro: N=500; 28 de novembro: N=489; 12 de dezembro: N=489; 27 de dezembro: N = 462), leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (24 de outubro: N=255; 28 de novembro: N=248; 12 de dezembro: N=243; 27 de dezembro: N = 243) e leitos com respiradores (leitos UTI + leitos de estabilização) (24 de outubro: N=300; 28 de novembro: N=294; 12 de dezembro: N=294; 27 de dezembro: N = 298). Todos esses valores da capacidade de recursos são do Sistema Único de Saúde (SUS).

Assim, utilizando os dados do dia 26 de dezembro de 2020, foram construídas as figuras 11 e 12 que se referem à disponibilidade dos leitos clínicos e UTI.

O Piauí apresentou 64,9% dos leitos clínicos livres, todas as regionais de saúde apresentaram mais de 50% dos leitos livres, com exceção de Carnaubais (9,5%) (Figura 11).

Figura 11. Distribuição percentual (%) de leitos clínicos livres de Covid-19 no Piauí, 26 de dezembro de 2020.

Fonte: SESAPI, 2020.

Com relação aos leitos de UTI, o Piauí apresenta 49,4% dos leitos UTI disponíveis. A maioria das regiões possui ≥50% dos leitos UTI livres, com exceção de Entre Rios (42,0%) e Serra da Capivara (20,0%). Destaca-se que Carnaubais, Tabuleiros do Alto Parnaíba e Vale do Sambito não dispunham de informações sobre leitos UTI (Figura 12).

Figura 12. Distribuição percentual (%) de leitos UTI livres de Covid-19 no Piauí, 26 de dezembro de 2020.

Fonte: SESAPI, 2020.

4 Média móvel e Taxa média de casos

As informações apresentadas a seguir referem-se à evolução da média móvel e a taxa média (10.000 habitantes) de casos da Covid-19, por semana epidemiológica. A média móvel permite minimizar as variações das séries temporais diárias nos registros de casos da doença. E a taxa média dos casos utiliza os valores das médias móveis com os dados populacionais para visualizar o risco de adoecer pela Covid-19.

A figura 13 apresenta as variações regionais nos casos de Covid-19 no Piauí, da 13ª a 52ª semana epidemiológica. Com exceção da regional Entre Rios, que possui um elevado número na média móvel e taxa média na regional Entre Rios, nesta nota técnica foi padronizada os eixos dos gráficos das regionais de saúde baseando-se nos valores da regional de Cocais. A maioria das regionais apresentou redução na média móvel após a semana 49. Apenas Chapada das Mangabeiras e Vale do Sambito apresentaram aumento na média móvel da semana 51 para 52.

Figura 13. Média móvel e Taxa móvel de casos (10.000 hab.) de Covid-19, por regional de saúde, Piauí, 13ª a 50ª semana epidemiológica de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

5 Média móvel e Taxa média de óbitos

As informações apresentadas a seguir referem-se à evolução da média móvel e a taxa média (10.000 habitantes) de óbitos da Covid-19, por semana epidemiológica.

A figura 14 apresenta as variações regionais nos casos de Covid-19 no Piauí, da 13ª a 52ª semana epidemiológica. Com exceção da regional Entre Rios, que possui um elevado número na média móvel e taxa média na regional Entre Rios, nesta nota técnica foi padronizada os eixos dos gráficos das regionais de saúde baseando-se nos valores da regional de Planície Litorânea. A maioria das regionais tem apresentado oscilações na média móvel e na taxa média de óbitos por Covid-19, com redução ou estabilidade na última semana epidemiológica (52ª semana). No entanto, Chapada das Mangabeiras, Serra da Capivara e Vale do Sambito foram as únicas que tiveram aumento na última semana.

Figura 14. Média móvel e Taxa móvel de óbitos (10.000 hab.) de Covid-19, por regional de saúde, Piauí, 13ª a 52ª semana epidemiológica de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Equipe - Sala de Situação

  • Beatriz Fátima Alves de Oliveira - Enfermeira e Pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Piauí

  • Bruno Guedes Alcoforado Aguiar - Departamento de Medicina Comunitária (UFPI); Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN).

  • Emidio Marques de Matos Neto - Departamento de Educação Física, Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP).

  • Flávio Furtado de Farias - Curso de Fisioterapia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba.

  • Francisco de Tarso Ribeiro Caselli - Curso de Engenharia de Produção (UFPI).

  • Jefferson Cruz dos Santos Leite - Departamento de Matemática (UFPI).

  • Juliana Gonçalves de Sousa - Geoprocessamento (IFPI).

  • Juliana Soares Severo - Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Alimentos e Nutrição (UFPI).

  • Maria Zilda de Oliveira Conceição Lima - Engenharia Cartográfica e de Agrimensura (UFPI)

  • Osmar de Oliveira Cardoso - Núcleo de Estudos em Saúde Pública-NESP, Departamento de Bioquímica e Farmacologia (UFPI).

  • Péricles Luiz Picanço Jr. - Departamento de Transportes (UFPI).

  • Rita de Cassia de Lima Idalino - Curso de Estatística (UFPI).

  • Roniele Araújo de Sousa - Núcleo de Estudos em Saúde Pública-NESP (UFPI).