Sala de Situação

Data da atualização:

08/09/2020, às 17:00h


Versão anterior (14/08/2020)

PAINEL – UFPI – COVID-19

Ordinariamente atualizado a cada duas semanas, a não ser que precise de dados emergenciais.

Veja também:

Atualização epidemiológica

Nota Técnica #10

Roniele Araújo de Sousa1,2, Osmar de Oliveira Cardoso1,3

1Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP-UFPI); 2Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN) 3Departamento de Bioquímica e Farmacologia (UFPI).

👉Destaques da nota

Casos: os casos diários da doença têm mostrado redução desde o início do mês de agosto;

Óbitos: após o pico, que ocorreu dia 10 de julho, e mesmo com as variações observadas, o número de óbitos diários tem reduzido;

Letalidade: No Piauí, até o dia 29 de agosto, a taxa de letalidade foi de 2,3%;

Capital X Interior: No final de maio o interior passou em número de casos a capital e se manteve assim, mas a capital manteve o numero de óbitos maior que o interior até o final de agosto, quando a situação se inverteu;

Média móvel e Taxa média de casos: As regionais têm apresentado estabilidade ou redução nas médias móveis nas últimas semanas epidemiológicas, exceto Vale dos Rios Piauí e Itaueiras;

Média móvel e Taxa média de óbitos: As regionais têm apresentado estabilidade e redução na média móvel de óbitos e na taxa média nas últimas semanas epidemiológicas, exceto nas regionais Chapada das Mangabeiras e Vale dos Rios Piauí e Itaueiras.

Apresentação

O Grupo de Trabalho do Eixo 3 - Sala de situação, do Comitê Gestor de Crise da Universidade Federal do Piauí, integrado por representantes de diversas instituições de pesquisa, vem estudando a evolução e os aspectos da pandemia causada por SARS-CoV-2.

A atualização epidemiológica é importante para o acompanhamento dos casos e óbitos ocorridos no estado do Piauí. Pode-se ver os casos e óbitos diários, acumulados, acompanhar as tendências e também por regionais, facilitando as observações por região, além de verificar as diferenças, que ajudam a explicar e subsidiar decisões a serem tomadas pelos gestores públicos.

1 Evolução de Casos e Óbitos e tendência da Covid-19 no Piauí

1.1 Casos e Tendência

Apesar da linha de tendência apresentar ainda uma leve ascendência, os casos diários da doença têm mostrado redução desde o início do mês de agosto, conforme observado na figura 01, que mostra o comportamento dos casos novos desde o início da pandemia no Piauí em uma curva logarítmica, utilizando a média móvel de sete dias. Além disso, tanto a figura 01 quanto a figura 02 mostram que ainda não há uma estabilidade de casos, sugerindo que ainda pode haver um crescimento de casos no estado.

Esse indicador busca demonstrar com mais precisão o estágio da pandemia, apresentando um padrão que reduz possíveis distorções por variações nos registros durante os dias. Para realizar esse cálculo, os números de casos ou óbitos dos últimos sete dias são somados e divididos por sete. Ela é móvel porque ao acrescentar os dados dos dias seguintes, os números dos primeiros dias são excluídos, mantendo-se sempre os sete dias para o cálculo.

Figura 01. Representação da curva logarítmica de casos novos diários e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 02. Representação da curva logarítmica de casos acumulados e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

O Piauí já registrou 76.916 casos de Covid-19, até o dia 29 de agosto de 2020. As regionais de saúde que foram mais acometidas foram a Entre Rios (N=34.345), Cocais (N=11.098) e Planície Litorânea (N=8.917) e Vale do Rio Guaribas (N=7.403), que concentram 70,7% dos casos no estado (Figura 03).

Devido ao fato de Teresina ter maior porte populacional e maior número de casos no estado (N=25.044; 32,6%), a figura 04 apresenta os casos acumulados das regionais de saúde sem os registros da capital. Ainda assim, se observa que a Entre Rios (N=9.301) fica em segunda posição no número de casos, tendo até quase 7 (sete) vezes mais casos do que a região do Vale do Sambito (N=1.344), por exemplo.

Figura 03. Número de casos acumulados da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, até 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 04. Número de casos acumulados da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, sem dados de Teresina, até 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020. *Entre Rios sem dados de Teresina.

1.2 Óbitos e Tendência

A figura 05 apresenta a curva de óbitos diários no Piauí até o dia 29 de agosto. Após o pico, que ocorreu dia 10 de julho, e mesmo com as variações observadas, o número de óbitos diários tem reduzido. Mesmo assim, a curva de tendência ainda apresenta uma leve ascendência. Se os números de óbitos continuarem a reduzir, certamente a linha de tendência estabilizará e sofrerá uma inflexão, tendendo a diminuição. Na figura 06, de óbitos acumulados, ainda evidencia um aumento sustentado dos óbitos, embora com tendência de estabilização.

Figura 05. Representação da curva logarítmica de óbitos novos diários e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 06. Representação da curva logarítmica de óbitos acumulados e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Até o dia 29 de agosto de 2020, o Piauí registrou 1.804 óbitos por Covid-19. As regionais de saúde com maior número de mortes foram a Entre Rios (N=1.071), Cocais (N=204) e Planície Litorânea (N=189). As demais regiões representam apenas 18,8% dos óbitos (Figura 07).

A figura 08 apresenta os óbitos acumulados das regiões de saúde sem os registros de Teresina, que até a presente data apresentou mais da metade dos óbitos do estado (N=900). Mesmo assim, a regional Entre Rios (N=171) fica em terceira posição no número de óbitos, com 8,6 vezes mais mortes do que a região da Serra da Capivara (N=20).

Figura 07. Número de óbitos acumulados da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, até 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 08. Número de óbitos acumulados da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, sem dados de Teresina, até 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020. *Entre Rios sem dados de Teresina.

2 Letalidade

A letalidade permite medir o risco de uma pessoa morrer por uma determinada doença. No caso da Covid-19 no Piauí, até o dia 29 de agosto, a taxa de letalidade era de 2,3%. Apenas a regional Entre Rios apresentava letalidade superior, com 3,1%. A Serra da Capivara teve a menor taxa (1,0%) entre as regionais, indicando um menor risco de morrer pela Covid-19 (Figura 09).

No entanto, quando se retira os dados de Teresina (maior número absoluto de casos e maior número absoluto de mortes), verifica-se uma mudança na taxa de letalidade do estado e da regional Entre Rios. Enquanto a taxa do Piauí reduz para 1,7%, a regional Entre Rios sai da 1ª (primeira) colocação para a 3ª (terceira), com letalidade de 1,8%, igual a de Cocais, Vale do Sambito e Chapada das Mangabeiras. Nesta situação, a regional de Planície Litorânea e Carnaubais apresentam maior risco de morrer por diagnóstico da doença, com 2,1 e 2,0 respectivamente (Figura 10).

Figura 09. Taxa de letalidade (%) da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, até 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 10. Taxa de letalidade (%) da Covid-19 nas regionais de saúde, sem dados de Teresina, Piauí, até 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020. *Entre Rios sem dados de Teresina.

Ao se observar o comportamento da letalidade ao longo dos dias (figura 11), verifica-se que no começo da disseminação da doença no estado, a letalidade chegou a 22%, ou seja, em termos numéricos, a cada 100 doentes, 22 morriam pela doença. A partir desse pico, o valor da letalidade tem decaido, chegando no último dia da série histórica (29 de agosto), a 2,3%, valor menor que o nível nacional (3,1%).

Figura 11. Série histórica da letalidade (%) e de casos acumulados da Covid-19 no Piauí, até 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

3 Comparativo de casos e óbitos acumulados entre capital e interior

As figuras a seguir permitem comparar o comportamento dos casos e óbitos da Covid-19 entre a capital, Teresina, e o interior do estado.

A figura 12 apresenta o percentual de casos acumulados da Covid-19 até o dia 29 de agosto. A capital concentrava a maioria dos casos até o dia 22 de maio, onde se percebe a interiorização da doença no estado.

No entanto, de modo inverso, a partir do dia 29 de maio, o percentual de óbitos pela doença começa a se concentrar na capital, com aumento até início de julho e decréscimo no final do mesmo mês. No dia 29 de agosto, o número de óbitos acumulados no interior ultrapassa ao observado na capital (Figura 13).

Figura 12. Casos acumulados (%) da Covid-19 na capital e interior, Piauí, até dia 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 13. Óbitos acumulados (%) da Covid-19 na capital e interior, Piauí, até dia 29 de agosto de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

4 Média móvel e Taxa média de casos

As informações apresentadas a seguir referem-se à evolução da média móvel e a taxa média (10.000 habitantes) de casos da Covid-19, por semana epidemiológica. A média móvel permite minimizar as variações das séries temporais diárias nos registros de casos da doença. E a taxa média dos casos utiliza os valores das médias móveis com os dados populacionais para visualizar o risco de adoecer pela Covid-19.

A figura 14 apresenta as variações regionais nos casos de Covid-19 no Piauí, da 13ª a 35ª semana epidemiológica. A maioria das regionais tem apresentado estabilidade ou reduções nas médias móveis nas últimas semanas epidemiológicas. Em cenário oposto, a regional do Vale dos Rios Piauí e Itaueiras tem apresentado um aumento na média móvel e na taxa média de casos. Da semana 34 para a 35, essa regional teve um aumento de 31,4% na média móvel de casos.

Figura 14. Média móvel e Taxa móvel de casos (10.000 hab.) de Covid-19, por regional de saúde, Piauí, 13ª a 35ª semana epidemiológica de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

5 Média móvel e Taxa média de óbitos

As informações apresentadas a seguir referem-se à evolução da média móvel e a taxa média (10.000 habitantes) de óbitos da Covid-19, por semana epidemiológica.

A figura 15 apresenta as variações regionais nos casos de Covid-19 no Piauí, da 13ª a 35ª semana epidemiológica. A maioria das regionais tem apresentado estabilidade e reduções na média móvel de óbitos e na taxa média nas últimas semanas epidemiológicas. No entanto, as regionais de Chapada das Mangabeiras e Vale dos Rios Piauí e Itaueiras apresentaram aumento nas últimas semanas.

Figura 15. Média móvel e Taxa móvel de óbitos (10.000 hab.) de Covid-19, por regional de saúde, Piauí, 13ª a 35ª semana epidemiológica de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Equipe - Sala de Situação

  • Beatriz Fátima Alves de Oliveira - Enfermeira e Pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Piauí

  • Bruno Guedes Alcoforado Aguiar - Departamento de Medicina Comunitária (UFPI); Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN).

  • Emidio Marques de Matos Neto - Departamento de Educação Física, Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP).

  • Flávio Furtado de Farias - Curso de Fisioterapia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba.

  • Francisco de Tarso Ribeiro Caselli - Curso de Engenharia de Produção (UFPI).

  • Jefferson Cruz dos Santos Leite - Departamento de Matemática (UFPI).

  • Juliana Gonçalves de Sousa - Geoprocessamento (IFPI).

  • Juliana Soares Severo - Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Alimentos e Nutrição (UFPI).

  • Maria Zilda de Oliveira Conceição Lima - Engenharia Cartográfica e de Agrimensura (UFPI)

  • Osmar de Oliveira Cardoso - Núcleo de Estudos em Saúde Pública-NESP, Departamento de Bioquímica e Farmacologia (UFPI).

  • Péricles Luiz Picanço Jr. - Departamento de Transportes (UFPI).

  • Rita de Cassia de Lima Idalino - Curso de Estatística (UFPI).

  • Roniele Araújo de Sousa - Núcleo de Estudos em Saúde Pública-NESP (UFPI).