Sala de Situação

Data da atualização:

22/12/2020, às 16:00h

PAINEL – UFPI – COVID-19

Ordinariamente atualizado a cada duas semanas, a não ser que precise de dados emergenciais.

Veja também:

Atualização epidemiológica

Nota Técnica #16 de 19 de dezembro de 2020 .

Roniele Araújo de Sousa1,2,3, Osmar de Oliveira Cardoso1,4.

1Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP-UFPI); 2Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN); 3Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT/UNL); 4Departamento de Bioquímica e Farmacologia (UFPI).

👉Destaques da nota

Casos e Tendência: depois de atingir a menor média (355 casos) em 19 de novembro, os números começaram a aumentar novamente, indicando uma influência das aglomerações políticas por causa das eleições municipais.

Óbitos e Tendência: a partir do início de dezembro, há um aumento dos óbitos, mas com oscilações, sugerindo uma possibilidade de aumento nas próximas semanas.

Comparação de casos e óbitos acumulados entre capital e interior: a relação de óbitos entre a capital e o interior se mantém constante, com o interior se aproximando de 60% dos óbitos, mas ainda o risco relativo é maior na capital.

Disponibilidade de leitos clínicos e UTI: o Piauí tem reduzido os leitos destinados à Covid-19 junto com a redução dos casos e apresenta 62,6% dos leitos clínicos livres, mas o destaque negativo fica para as regionais da Chapada das Mangabeiras, Serra da Capivara e Carnaubais com 42,4%, 46,2% e 4,8%, respectivamente.

Média móvel e Taxa média de casos: a maioria das regionais apresentou aumento na média móvel após a semana 47. Destaca-se a semana 49 que apresentou o maior aumento na média móvel nas últimas 3 semanas.

Média móvel e Taxa média de óbitos: a maioria das regionais tem apresentado oscilações na média móvel e na taxa média de óbitos por Covid-19, com aumento na última semana epidemiológica (50ª semana). No entanto, destaca-se Chapada das Mangabeiras e Serra da Capivara que, da semana 48 para a 50, apresentaram um aumento de 7,7 vezes e 6,9 vezes, respectivamente.

Apresentação

O Grupo de Trabalho do Eixo 3 - Sala de situação, do Comitê Gestor de Crise da Universidade Federal do Piauí, integrado por representantes de diversas instituições de pesquisa, vem estudando a evolução e os aspectos da pandemia causada por SARS-CoV-2.

A atualização epidemiológica é importante para o acompanhamento dos casos e óbitos ocorridos no estado do Piauí. Pode-se ver os casos e óbitos diários, acumulados, acompanhar as tendências e também por regionais, facilitando as observações por região, além de verificar as diferenças, que ajudam a explicar e subsidiar decisões a serem tomadas pelos gestores públicos.

1 Evolução de Casos e Óbitos e tendência da Covid-19 no Piauí

1.1 Casos e Tendência

A figura 1 mostra o comportamento dos casos novos desde o início da pandemia no Piauí em uma curva logarítmica, utilizando a média móvel de sete dias. Como se observa, os casos diários começaram a reduzir desde a primeira quinzena do mês de agosto, mas observa-se oscilações nessa tendência de queda. Depois de atingir a menor média (355 casos) em 19 de novembro, a curva começou a subir novamente até o dia 5 de dezembro (695 casos), um aumento de 95,7%, comparando as duas datas. Após o dia 5/12, a média de casos tem apresentado redução: Em 12 de dezembro, a média foi de 556 casos. Assim, embora nos últimos dias da série histórica tenha apresentado diminuição na média de casos, coincidindo com o período de incubação da doença logo após as aglomerações que ocorreram por todo o estado em vista das eleições municipais, indicando que, provavelmente, as aglomerações políticas foram as causas desse aumento em todo o Piauí.

Esse indicador busca demonstrar com mais precisão o estágio da pandemia, apresentando um padrão que reduz possíveis distorções por variações nos registros durante os dias. Para calcular, os números de casos ou óbitos dos últimos sete dias são somados e divididos por sete. Ela é móvel porque ao acrescentar os dados dos dias seguintes, os números dos primeiros dias são excluídos, mantendo-se sempre os sete dias para o cálculo.

Figura 01. Representação da curva logarítmica de casos novos diários e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 12 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Até o dia 12 de dezembro, o Piauí registrou 134.429 casos de Covid-19. Ao se observar as regionais de saúde, verificou-se que as mais acometidas foram a Entre Rios (N=60.892), Cocais (N=16.600), Vale do Rio Guaribas (N=12.558) e Planície Litorânea (10.894) que concentram 75,1% de casos no estado (Figura 02).

Figura 02. Número de casos acumulados da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, até 12 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

A relevância e a confiabilidade dos testes de anticorpos para detectar infecções anteriores por SARS-CoV-2 também é questionável. Nesse sentido, o estudo CoNAN8 avaliou a soroprevalência de anticorpos contra SARS-CoV-2, utilizando testes de anticorpos, em uma comunidade totalmente testada (previamente) por RT-PCR (Reverse-Transcriptase Polymerase Chain Reaction). Os resultados mostraram que apenas metade dos participantes com infecção comprovada por SARS-CoV-2 desenvolveu níveis detectáveis ​​de anticorpos pelo teste de anticorpo8, resultando em uma quantidade significativa de falsos negativos e indicando que a avaliação da extensão de um surto e da imunidade para infecção por SARS-CoV-2 não deve depender de ensaios de anticorpos.

1.2 Óbitos e Tendência

A figura 03 apresenta a curva de óbitos diários no Piauí até o dia 12 de dezembro de 2020. Após o pico, que ocorreu dia 10 de julho, e mesmo com as variações observadas, a média móvel de óbitos diários apresentou redução até a segunda quinzena do mês de setembro. Após o início do mês de outubro, os óbitos diários começaram a evoluir até dia 17 de outubro, quando ocorre redução. Novamente, os óbitos crescem do final de outubro até o início de novembro e, posteriormente, sofrem reduções até o fim de novembro. A partir do mês de dezembro a média dos óbitos começam a crescer até o último dia da série histórica. Portanto, é preciso observar o comportamento desse indicador nas próximas semanas epidemiológicas, uma vez que, a figura 03 apresenta aumento de óbitos, mas com oscilações.

Figura 03. Representação da curva logarítmica de óbitos novos diários e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 12 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

O Piauí registrou 2.720 óbitos por Covid-19 até o dia 12 de dezembro de 2020. As regionais de saúde com maior número de mortes continuaram a ser Entre Rios (N=1.446), Cocais (N=285), Planície Litorânea (N=213) e Vale do Rio Guaribas (N=202). As demais regiões representam 21,1% do total de óbitos (Figura 04).

Figura 04. Número de óbitos acumulados da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, até 12 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

2 Comparativo de casos e óbitos acumulados entre capital e interior

As figuras a seguir permitem comparar o comportamento dos casos e óbitos da Covid-19 entre a capital, Teresina, e o interior do estado.

A figura 05 apresenta o percentual de casos acumulados da Covid-19 até o dia 12 de dezembro de 2020. A capital concentrava a maioria dos casos até o dia 22 de maio, que a partir dessa data se percebe a interiorização da doença no estado.

De modo inverso, a partir do dia 29 de maio, o percentual de óbitos pela doença começa a se concentrar na capital, com aumento até início de julho e decréscimo no final do mesmo mês. No dia 30 de agosto, o número de óbitos acumulados no interior ultrapassa ao observado na capital. A concentração (%) de óbitos no interior tem aumentado, sendo que no dia 12 de dezembro, o interior já concentrava 65,8% do total de óbitos do Piauí (Figura 06).

Figura 05. Casos acumulados (%) da Covid-19 na capital e interior, Piauí, até dia 12 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 06. Óbitos acumulados (%) da Covid-19 na capital e interior, Piauí, até dia 12 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

A figura 07 apresenta os casos acumulados e a incidência cumulativa, por 10.000 habitantes. A incidência cumulativa é o indicador que observa o número de casos da doença pelo número da população, permitindo verificar o local com maior risco para infecção da Covid-19. Portanto, apesar do número de casos ser maior no interior (N=88.521) comparado a capital (N=45.908), observa-se que há ainda maior risco para Covid-19 na capital (Incidência Cumulativa = 528,8 casos/10.000 hab.). O Piauí apresenta uma incidência cumulativa de 409,7 casos/10.000 hab.

Figura 07. Casos acumulados e Incidência Cumulativa (10.000 hab.) da Covid-19 na capital, interior e Piauí, em 12 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

A figura 08 apresenta os óbitos acumulados e a taxa de mortalidade, por 10.000 habitantes. A taxa de mortalidade é o indicador que observa o número de óbitos pela doença pelo número da população, permitindo verificar o local com maior risco para óbito pela Covid-19. Portanto, apesar do número de óbitos ser um pouco maior no interior (N=1.534) comparado a capital (N=1.186), observa-se que há ainda maior risco de óbito pela Covid-19 na capital (Taxa de mortalidade = 13,7 óbitos/10.000 hab.). O Piauí apresenta uma taxa de mortalidade de 8,3 óbitos/10.000 hab.

Figura 08. Óbitos acumulados e Taxa de mortalidade (10.000 hab.) da Covid-19 na capital, interior e Piauí, em 12 de dezembro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

4 Disponibilidade de leitos clínicos e UTI

O Piauí investiu em aumentar o número de recursos para atender a demanda resultante das complicações de saúde. O Piauí tem reduzido o número de leitos clínicos destinado a Covid-19 (24 de outubro: N=500; 28 de novembro: N=489; 12 de dezembro: N=489), leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (24 de outubro: N=255; 28 de novembro: N=248; 12 de dezembro: N=243;) e leitos com respiradores (leitos UTI + leitos de estabilização) (24 de outubro: N=300; 28 de novembro: N=294; 12 de dezembro: N=294). Todos esses valores da capacidade de recursos são do Sistema Único de Saúde (SUS).

Assim, utilizando os dados do dia 12 de dezembro de 2020, foram construídas as figuras 09 e 10 que se referem à disponibilidade dos leitos clínicos e UTI.

O Piauí apresentou 62,6% dos leitos clínicos livres, todas as regionais de saúde apresentaram mais de 50% dos leitos livres, com exceção de Chapada das Mangabeiras (46,2%), Serra da Capivara (42,4%) e Carnaubais (4,8%) (Figura 09).

Figura 09. Distribuição percentual (%) de leitos clínicos livres de Covid-19 no Piauí, 12 de dezembro de 2020.

Fonte: SESAPI, 2020.

Com relação aos leitos de UTI, o Piauí apresenta 50,2% dos leitos UTI disponíveis. A maioria das regiões possui ≥50% dos leitos UTI livres, com exceção de Entre Rios (48,4%), Vale dos Rios Piauí e Itaueiras (45,0%) e Serra da Capivara (10,0%). Destaca-se que Carnaubais, Tabuleiros do Alto Parnaíba e Vale do Sambito não dispunham de informações sobre leitos UTI (Figura 10).

Figura 10. Distribuição percentual (%) de leitos UTI livres de Covid-19 no Piauí, 12 de dezembro de 2020.

Fonte: SESAPI, 2020.

4 Média móvel e Taxa média de casos

As informações apresentadas a seguir referem-se à evolução da média móvel e a taxa média (10.000 habitantes) de casos da Covid-19, por semana epidemiológica. A média móvel permite minimizar as variações das séries temporais diárias nos registros de casos da doença. E a taxa média dos casos utiliza os valores das médias móveis com os dados populacionais para visualizar o risco de adoecer pela Covid-19.

A figura 11 apresenta as variações regionais nos casos de Covid-19 no Piauí, da 13ª a 50ª semana epidemiológica. Com exceção da regional Entre Rios, que possui um elevado número na média móvel e taxa média na regional Entre Rios, nesta nota técnica foi padronizada os eixos dos gráficos das regionais de saúde baseando-se nos valores da regional de Cocais. A maioria das regionais apresentou aumento na média móvel após a semana 47. Destaca-se a semana 49 que apresentou o maior aumento na média móvel nas últimas 3 semanas. As regionais Planície Litorânea, Tabuleiros do Alto Parnaíba e Vale do Sambito tiveram aumentos constantes nas últimas semanas (48ª a 50ª semana).

Figura 11. Média móvel e Taxa móvel de casos (10.000 hab.) de Covid-19, por regional de saúde, Piauí, 13ª a 50ª semana epidemiológica de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

5 Média móvel e Taxa média de óbitos

As informações apresentadas a seguir referem-se à evolução da média móvel e a taxa média (10.000 habitantes) de óbitos da Covid-19, por semana epidemiológica.

A figura 12 apresenta as variações regionais nos casos de Covid-19 no Piauí, da 13ª a 50ª semana epidemiológica. Com exceção da regional Entre Rios, que possui um elevado número na média móvel e taxa média na regional Entre Rios, nesta nota técnica foi padronizada os eixos dos gráficos das regionais de saúde baseando-se nos valores da regional de Planície Litorânea. A maioria das regionais tem apresentado oscilações na média móvel e na taxa média de óbitos por Covid-19, com aumento na última semana epidemiológica (50ª semana). No entanto, destaca-se Chapada das Mangabeiras e Serra da Capivara que, da semana 48 para a 50, apresentaram um aumento de 7,7 vezes e 6,9 vezes, respectivamente.

Figura 12. Média móvel e Taxa móvel de óbitos (10.000 hab.) de Covid-19, por regional de saúde, Piauí, 13ª a 50ª semana epidemiológica de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Equipe - Sala de Situação

  • Beatriz Fátima Alves de Oliveira - Enfermeira e Pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Piauí

  • Bruno Guedes Alcoforado Aguiar - Departamento de Medicina Comunitária (UFPI); Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN).

  • Emidio Marques de Matos Neto - Departamento de Educação Física, Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP).

  • Flávio Furtado de Farias - Curso de Fisioterapia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba.

  • Francisco de Tarso Ribeiro Caselli - Curso de Engenharia de Produção (UFPI).

  • Jefferson Cruz dos Santos Leite - Departamento de Matemática (UFPI).

  • Juliana Gonçalves de Sousa - Geoprocessamento (IFPI).

  • Juliana Soares Severo - Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Alimentos e Nutrição (UFPI).

  • Maria Zilda de Oliveira Conceição Lima - Engenharia Cartográfica e de Agrimensura (UFPI)

  • Osmar de Oliveira Cardoso - Núcleo de Estudos em Saúde Pública-NESP, Departamento de Bioquímica e Farmacologia (UFPI).

  • Péricles Luiz Picanço Jr. - Departamento de Transportes (UFPI).

  • Rita de Cassia de Lima Idalino - Curso de Estatística (UFPI).

  • Roniele Araújo de Sousa - Núcleo de Estudos em Saúde Pública-NESP (UFPI).