Sala de Situação

PAINEL – UFPI – COVID-19

Ordinariamente atualizado a cada duas semanas, a não ser que precise de dados emergenciais.

Apresentação

A doença por coronavírus (Covid-19) é causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), nova variante de coronavírus, identificado como o agente causador da síndrome respiratória aguda grave que afetou a população da China em dezembro de 2019. No início de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que se tratava de uma pandemia, caracterizada pela disseminação da Covid-19 em todos os continentes do globo, alertando para que as autoridades de saúde preparassem seus planos de contingência e de enfrentamento a um dos mais importantes desafios de saúde pública no século XXI.

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) instalou o Comitê Gestor de Crise. No Grupo de Trabalho sobre saúde, a equipe do Eixo 3 - Sala de situação elaborou o Painel UFPI Covid-19, cujo objetivo é apresentar um consolidado de informações sobre a evolução da pandemia Covid-19, com ênfase aos dados relacionados ao estado do Piauí.

O painel será atualizado sempre que houverem dados consistentes, que permitam fazer uma análise mais detalhada.



Figura 1: Número acumulado de casos notificados, segundo publicações SESAPI

Como o objetivo de ampliar a divulgação das definições de caso atualizados e sensibilização da rede de saúde pública e privada para identificação, realiza-se a notificação de casos suspeitos que serão descartados ou confirmados, utilizando os recursos adequados e disponíveis para o diagnóstico. Estes recursos, frequentemente, em casos de epidemias, requerem tempo para sua mobilização, que nem sempre é imediata, seja por dificuldades relativas aos recursos materiais ou humanos, seja por questões logísticas. No caso, da pandemia anunciada pela OMS, no dia 11 de março, a Secretaria de Saúde do Estado do Piauí passou a publicizar os dados em 20 de março, possibilitando o acompanhamento diário.

Inicialmente, o número de casos notificados se aproxima do número de casos em investigação (suspeitos), mas à medida que os recursos diagnósticos permitem, com celeridade, classificar, confirmando-os ou descartando-os, estes casos em investigação tendem a desaparecer. A partir deste momento a evolução dos números de casos notificados resulta da soma de casos confirmados e casos descartados, sendo fundamental, no caso da COVID-19, portanto, que os resultados dos exames diagnósticos laboratoriais sejam disponibilizados.

Embora, seja mais importante verificar a evolução dos casos confirmados e dos casos descartados, conhecer o número de casos notificados permite verificar a taxa de casos confirmados e sua evolução.

No Piauí, a curva de evolução de casos notificados é continuamente crescente, e revela um possível crescimento da síndrome Covid-19, dada sua dimensão. Estudos da Fiocruz, divulgados na plataforma infogripe (veja aqui: http://info.gripe.fiocruz.br), revelam que, no Brasil, estes números estão muito superiores aos dos anos anteriores recentes, mesmo quando se considera o ano de 2016, com a epidemia do H1N1. Seria necessário, portanto, conhecer mais detalhes sobre como foram descartados os casos em investigação.

Figura 2: Número de casos confirmados, segundo publicações SESAPI.

Tabela 1: Dados dos casos de Covid-19, 22 de abril, 2020.

No dia 22 de abril de 2020, o Brasil apresentava 43.079 casos confirmados de Covid-19 e 2741 óbitos pela doença, e a região Nordeste compreendia 24,2% dos casos e 24,8% de óbitos do país. Com relação ao Piauí, foi verificado que o estado contava com 210 casos e taxa de letalidade (7,1%) superior que a do Brasil (6,4%) e da região Nordeste (6,3%). Embora os casos confirmados e os óbitos concentrem-se em Teresina, a doença já foi verificada em todas as mesorregiões do estado, com maior concentração ao norte (Tabela 1).

Figura 3: Distribuição das amostras de exames RT-PCR segundo vírus identificado, Piauí, 27 de fevereiro a 17 de abril de 2020.

Fonte: LACEN-PI, 2020.

A Figura 3 apresenta distribuição dos casos de SRAG especificada no período de 27 de fevereiro a 17 de abril de 2020 no LACEN -PI . Menos de 2% dos testes de PCR realizados detectaram material genético do novo coronavírus, causador da COVID-19, SARS-COV2 nas amostras investigadas. Mais de 80% das investigações para pesquisa dos diversos vírus foram negativas para os virus respiratórios .

Várias causas foram levantadas para a possível causa de tantos testes não detectados.


  1. Janela de coleta para qPCR fora do período desejado;

  2. Qualidade da extração de material genético pode ser/estar baixa;

  3. Kit utilizado tem baixa sensibilidade;

  4. Falha no procedimento de coleta;

  5. Falha no acondicionamento e transporte das amostras;

  6. O painel de vírus utilizado pode ser insuficiente;

  7. Aumento do envio de amostras por conta da alta demanda sem real necessidade/indicação de painel viral;


Visto o cenário atual, recomendamos a validação ou anulamento, dentre outras, das hipóteses acima elencadas com o intuito de fornecermos para a população um melhor cenário atual da doença no Piauí.

Figura 4: Casos de Covid-19 registrados no Piauí

O gráfico 4 demonstra a evolução dos casos de Covid-19 registrados no estado do Piauí. O primeiro caso foi registrado no dia 19 de março na cidade de Teresina, que é a capital do estado. O comportamento quanto ao crescimento dos dados é crescente. Demais municípios apresentados no gráfico seguem comportamento equivalente àquele observado na cidade de Teresina, mas em menor quantidade. Destacam-se Parnaíba, São Raimundo Nonato, União, Piracuruca, Floriano, Esperantina, São José do Divino e Miguel Alves. Os registros correspondem até o dia 23 de abril de 2019.

O mapa mostra a evolução da dispersão da doença pelo estado. No relatório anterior (dados 28/03/2020) apenas 5 municípios com casos confirmados e agora já são 29 municípios (22/04/2020) um crescimento superior a 400%. A partir dos dados do IBGE (2020) observa-se que das 20 cidades com maior população do estado, 9 tem casos confirmados de Covid-19. Importante observar também que a maior parte dos munícipios com casos são de divisa e ou são considerados polos para suas micro e mesorregiões como Esperantina, São Raimundo Nonato e Picos.


Acesso aos mapas online:

https://ufpi2020.maps.arcgis.com/home/index.html

Uma observação positiva é que no geral, em comparação com a situação registrada anteriormente, o nível de isolamento geral do Estado aumentou, com tendência geral, com a região norte apresentando maior nível de isolamento social e verifica-se a maior parte dos municípios com isolamento superior a 50%, enquanto a região sul apresenta muitos municípios com isolamento inferior a 50%. Entretanto, comparando a projeção anterior, o número de municípios com isolamento abaixo de 50% na região sul diminuiu.


Figura 5

A matriz de distanciamento social demonstra que o pico de isolamento ocorre durante os finais de semana, tendo redução de segunda a sexta, quando apresenta menores índices. Observa-se que a taxa de isolamento em algumas das localidades chega a menos de 35% durante a semana, indicando baixa adesão e maior risco de contaminação. No mais, a taxa individual geral para cada município é estável durante a semana e finais de semana.

Segundo os dados analisados, o nível de isolamento social para o período de 13/14 a 19/04 no estado ficou em torno de 50%. Esse valor é menor que a média das semanas anteriores, indicando que a população está respeitando menos as medidas de isolamento. Esse comportamento tem alto risco, uma vez que nesta semana houve um aumento do número de casos no estado, chegando a 217 casos confirmados e 29 municípios atingidos. Um maior número de casos somados a um menor nível de isolamento tende a facilitar o número de infectados e, consequentemente, do uso de UTIs.

Figura 6A

Figura 6B

Figura 6C

Como havíamos descrito no relatório anterior, as projeções de casos irão variar sempre que o dados levados em consideração para elaborar tais projeções mudarem. Assim, considerando diferentes cenários de isolamento social que, ressaltamos, têm sido relativamente eficazes até aqui, realizamos projeções com três diferentes possibilidades. Na figura 6A, projetamos um cenário com liberação do isolamento social, tomando todos os cuidados de higienização, uso de máscaras, sem atividades que promovam aglomeração, etc. Verificamos, neste caso que, no dia 17 de julho teríamos aproximadamente 15 mil infectados. Na figura 6B projetamos um cenário com liberação do comércio seguindo as restrições já impostas aos serviços essenciais. Observa-se que teríamos, no dia 12 de julho, aproximadamente 10 mil pessoas infectadas. Já na figura 6C, se continuarmos com as taxas médias de isolamentos que estamos hoje, conseguiríamos reduzir o número de infectados para cerca de 8 mil pessoas. Convém ressaltar que em todos os casos, a demanda por serviço assistencial, incluindo leitos de UTI, seria muito alta, chegando a cenários de colapso do sistema de saúde, como já temos observados em outras regiões do mundo e do Brasil, a exemplo da cidade de Manaus.

Veja também: Sala de Situação 12/04/2020 - versão anterior

VERSÃO ATUALIZADA

Equipe de Elaboração

  • Bruno Guedes Alcoforado Aguiar - Departamento de Medicina Comunitária (UFPI); Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN).

  • Carleandro de Oliveira Noleto - Departamento de Informática, Colégio Técnico de Bom Jesus (UFPI).

  • Clécio Francisco Vieira de Sousa - Departamento de Informática, Colégio Técnico de Bom Jesus (UFPI).

  • Flávio Furtado de Farias - Curso de Fisioterapia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba.

  • Francisco de Tarso Ribeiro Caselli - Curso de Engenharia de Produção (UFPI).

  • Jefferson Cruz dos Santos Leite - Departamento de Matemática (UFPI).

  • Juliana Gonçalves de Sousa - Geoprocessamento (IFPI).

  • Márcio Dênis Medeiros Mascarenhas - Departamento de Medicina Comunitária; Programa de Pós-Graduação em Saúde e Comunidade (UFPI); Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN).

  • Osmar de Oliveira Cardoso - Núcleo de Estudos em Saúde Pública-NESP, Departamento de Bioquímica e Farmacologia (UFPI).

  • Péricles Luiz Picanço Jr. - Departamento de Transportes (UFPI).

  • Rita de Cassia de Lima Idalino - Curso de Estatística (UFPI).

  • Roniele Araújo de Sousa - Núcleo de Estudos em Saúde Pública-NESP (UFPI).