Sala de Situação

Data da atualização:

28/10/2020, às 17:00h

PAINEL – UFPI – COVID-19

Ordinariamente atualizado a cada duas semanas, a não ser que precise de dados emergenciais.

Veja também:

Atualização epidemiológica

Nota Técnica #12 de 28 de outubro de 2020 .

Roniele Araújo de Sousa1,3, Osmar de Oliveira Cardoso1,2.

1Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP-UFPI); 2Departamento de Bioquímica e Farmacologia (UFPI); 3Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN).

👉Destaques da nota

Casos e Tendência: os casos diários começaram a reduzir desde a primeira quinzena do mês de agosto, mas essa tendência de queda não é contínua.

Letalidade: até o dia 24 de setembro, a taxa de letalidade era de 2,1%. A regional Entre Rios apresentava a maior letalidade (2,7%) e a Serra da Capivara a menor (0,8%).

Comparativo de casos e óbitos acumulados entre capital e interior: A capital concentrava a maioria dos casos até o dia 22 de maio quando ocorre a interiorização da doença no estado. A partir do dia 30 de agosto, o número de óbitos acumulados no interior ultrapassa ao observado na capital. No dia 24 de outubro, o interior já concentra 53,3% do total de óbitos do Piauí.

Disponibilidade de leitos clínicos e UTI: Nos últimos 40 dias, o Piauí reduziu o número de leitos clínicos, leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e leitos com respiradores.

Média móvel e Taxa média de casos: A maioria das regionais têm apresentado estabilidade ou reduções nas médias móveis nas últimas semanas epidemiológicas, exceto Vale do Canindé, Vale do Rio Guaribas, Vale dos Rios Piauí e Itaueiras, além de um aumento de quase 3 vezes no Vale do Sambito, desde a 37ª semana epidemiológica.

Média móvel e Taxa média de óbitos: A maioria das regionais tem apresentado estabilidade ou reduções na média móvel nas últimas semanas epidemiológicas, exceto Carnaubais e Vale dos Rios Piauí e Itaueiras.

Apresentação

O Grupo de Trabalho do Eixo 3 - Sala de situação, do Comitê Gestor de Crise da Universidade Federal do Piauí, integrado por representantes de diversas instituições de pesquisa, vem estudando a evolução e os aspectos da pandemia causada por SARS-CoV-2.

A atualização epidemiológica é importante para o acompanhamento dos casos e óbitos ocorridos no estado do Piauí. Pode-se ver os casos e óbitos diários, acumulados, acompanhar as tendências e também por regionais, facilitando as observações por região, além de verificar as diferenças, que ajudam a explicar e subsidiar decisões a serem tomadas pelos gestores públicos.

1 Evolução de Casos e Óbitos e tendência da Covid-19 no Piauí

1.1 Casos e Tendência

A figura 1 mostra o comportamento dos casos novos desde o início da pandemia no Piauí em uma curva logarítmica, utilizando a média móvel de sete dias. Como se observa, os casos diários começaram a reduzir desde a primeira quinzena do mês de agosto, mas essa tendência de queda não é contínua e, aparentemente, permanece em torno de 550 casos novos a partir do início de outubro. Assim, tanto a figura 01 quanto a figura 02 mostram que ainda não há uma redução estável de casos, o que pode sugerir uma possibilidade de crescimento da doença no estado.

Esse indicador busca demonstrar com mais precisão o estágio da pandemia, apresentando um padrão que reduz possíveis distorções por variações nos registros durante os dias. Para calcular, os números de casos ou óbitos dos últimos sete dias são somados e divididos por sete. Ela é móvel porque ao acrescentar os dados dos dias seguintes, os números dos primeiros dias são excluídos, mantendo-se sempre os sete dias para o cálculo.

Figura 01. Representação da curva logarítmica de casos novos diários e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 02. Representação da curva logarítmica de casos acumulados e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Até o dia 24 de outubro, o Piauí já registrou quase 110 mil casos de Covid-19. As regionais de saúde que foram mais acometidas foram a Entre Rios (N=49.781), Cocais (N=14.597), Planície Litorânea (N=10.358) e Vale do Rio Guaribas (N=9.166), que concentram 76,4% de casos no estado (Figura 03).

Teresina tem o maior porte populacional e maior número de casos no estado (N=37.120; 33,8%), a figura 04 apresenta os casos acumulados das regionais de saúde sem os registros da capital. Ainda assim, se observa que a Entre Rios (N=10.321) concentra grande quantidade dos registros da doença, ficando em segunda posição no número de casos, tendo até quase 5,4 vezes mais casos do que a região do Vale do Sambito (N=2.356).

Figura 03. Número de casos acumulados da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, até 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 04. Número de casos acumulados da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, sem dados de Teresina, até 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020. *Entre Rios sem dados de Teresina.

1.2 Óbitos e Tendência

A figura 05 apresenta a curva de óbitos diários no Piauí até o dia 24 de outubro de 2020. Após o pico, que ocorreu no dia 10 de julho, e mesmo com as variações observadas, a média móvel de óbitos diários apresentou redução até a segunda quinzena do mês de setembro. Após o início do mês de outubro, os óbitos diários começaram a evoluir até dia 17 de outubro, quando ocorre redução. É preciso observar o comportamento desse indicador nas próximas semanas epidemiológicas. Na figura 06, de óbitos acumulados, ainda se evidencia um aumento sustentado dos óbitos, embora com tendência de estabilização.

Figura 05. Representação da curva logarítmica de óbitos novos diários e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 06. Representação da curva logarítmica de óbitos acumulados e a curva de tendência utilizando a média móvel de sete dias, Piauí, até 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

O Piauí registrou 2.340 óbitos por Covid-19 até o dia 24 de outubro de 2020. As regionais de saúde com maior número de mortes continuaram a ser Entre Rios (N=1.325), Cocais (N=248), Planície Litorânea (N=208) e Vale do rio Guaribas (N=156). As demais regiões representam 17,2% do total de óbitos (Figura 07).

A figura 08 apresenta os óbitos acumulados das regiões de saúde sem os registros de Teresina, que concentra 46,7% (N=1.093) dos óbitos do Piauí. Ainda assim, a regional Entre Rios (N=232) fica em segunda posição no número de óbitos, com 8,3 vezes mais mortes do que a região da Serra da Capivara (N=28).

Figura 07. Número de óbitos acumulados da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, até 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 08. Número de óbitos acumulados da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, sem dados de Teresina, até 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020. *Entre Rios sem dados de Teresina.

2 Letalidade

A letalidade permite medir o risco de uma pessoa morrer por uma determinada doença. No caso da Covid-19 no Piauí, até o dia 24 de outubro, a taxa de letalidade era de 2,1%. Apenas a regional Entre Rios apresentava letalidade superior, com 2,7%. A Serra da Capivara teve a menor taxa (0,8%) entre as regionais, indicando um menor risco de morrer pela Covid-19 (Figura 09).

No entanto, quando se retira os dados de Teresina (maior número absoluto de casos e maior número absoluto de mortes), verifica-se uma mudança na taxa de letalidade do estado e da regional Entre Rios. Enquanto a taxa do Piauí reduz para 1,7%, a regional Entre Rios sai da 1ª (primeira) colocação para a 4ª (quarta), com letalidade de 1,8%, igual a de Vale dos Rios Piauí e Itaueiras e Chapada das Mangabeiras. Nesta situação, a regional de Carnaubais, Planície Litorânea e Vale do Sambito apresentam maior risco de morte por diagnóstico da doença, com 2,0% (Figura 10).

Figura 09. Taxa de letalidade (%) da Covid-19 nas regionais de saúde, Piauí, até 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 10. Taxa de letalidade (%) da Covid-19 nas regionais de saúde, sem dados de Teresina, Piauí, até 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020. *Entre Rios sem dados de Teresina.

Ao se observar o comportamento da letalidade ao longo dos dias (figura 11), verifica-se que no começo da disseminação da doença no estado, a letalidade chegou a 22%, ou seja, em termos numéricos, a cada 100 doentes, 22 morriam pela doença. A partir desse pico, o valor da letalidade tem descaído, chegando no último dia da série histórica (24 de outubro) a 2,1%.

Figura 11. Série histórica da letalidade (%) e de casos acumulados da Covid-19 no Piauí, até 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

3 Comparativo de casos e óbitos acumulados entre capital e interior

As figuras a seguir permitem comparar o comportamento dos casos e óbitos da Covid-19 entre a capital, Teresina, e o interior do estado.

A figura 12 apresenta o percentual de casos acumulados da Covid-19 até o dia 24 de outubro de 2020. A capital concentrava a maioria dos casos até o dia 22 de maio, que a partir dessa data se percebe a interiorização da doença no estado.

No entanto, de modo inverso, a partir do dia 29 de maio, o percentual de óbitos pela doença começa a se concentrar na capital, com aumento até início de julho e decréscimo no final do mesmo mês. No dia 30 de agosto, o número de óbitos acumulados no interior ultrapassa ao observado na capital. No dia 24 de outubro, o interior já concentra 53,3% do total de óbitos do Piauí (Figura 13).

Figura 12. Casos acumulados (%) da Covid-19 na capital e interior, Piauí, até dia 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

Figura 13. Óbitos acumulados (%) da Covid-19 na capital e interior, Piauí, até dia 24 de outubro de 2020.

Fonte: Painel Coronavírus, Ministério da Saúde, 2020.

4 Disponibilidade de leitos clínicos e UTI

O Piauí investiu em aumentar o número de recursos para atender a demanda resultante das complicações de saúde. Da última nota técnica até a presente, o Piauí reduziu o número de leitos clínicos (12 de setembro: N=550; 24 de outubro: N=500), leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (12 de setembro: N=276; 24 de outubro: N=255) e leitos com respiradores (leitos UTI + leitos de estabilização) (12 de setembro: N=322; 24 de outubro: N=300). Todos esses valores da capacidade de recursos são do Sistema Único de Saúde (SUS).

Assim, utilizando os dados do dia 24 de outubro de 2020, foram construídas as figuras 14, 15 e 16 que se referem à disponibilidade dos leitos clínicos e UTI.

O Piauí apresentou 62,2% dos leitos clínicos livres, todas as regionais de saúde apresentaram mais de 50% dos leitos livres, com exceção de Vale do Rio Guaribas e Vale dos Rios Piauí e Itaueiras que tiveram os menores percentuais, com 34,9% e 32,4% (Figura 14).

Figura 14. Distribuição percentual (%) de leitos clínicos livres de Covid-19 no Piauí, 24 de outubro de 2020.

Fonte: SESAPI, 2020.

Com relação aos leitos de UTI, o Piauí apresentou 49,8% dos leitos UTI livres. As regionais Entre Rios (47,9%), Vale do Rio Guaribas (35,0%), Chapada das Mangabeiras (33,3%) e Serra da Capivara (6,7%). Destaca-se a Serra da Capivara que, dos 15 leitos de UTIs disponíveis na regional, apenas 1 (um) leito estava disponível. Destaca-se que Carnaubais, Tabuleiros do Alto Parnaíba e Vale do Sambito não dispunham de informações sobre leitos UTI (Figura 15).

Figura 15. Distribuição percentual (%) de leitos UTI livres de Covid-19 no Piauí, 24 de outubro de 2020.

Fonte: SESAPI, 2020.

5 Média móvel e Taxa média de casos

As informações apresentadas a seguir referem-se à evolução da média móvel e a taxa média (10.000 habitantes) de casos da Covid-19, por semana epidemiológica. A média móvel permite minimizar as variações das séries temporais diárias nos registros de casos da doença. E a taxa média dos casos utiliza os valores das médias móveis com os dados populacionais para visualizar o risco de adoecer pela Covid-19.

A figura 16 apresenta as variações regionais nos casos de Covid-19 no Piauí, da 13ª a 43ª semana epidemiológica. A maioria das regionais têm apresentado estabilidade ou reduções nas médias móveis nas últimas semanas epidemiológicas. No entanto, embora não muito expressivos, as regionais de Vale do Canindé, Vale do Rio Guaribas, Vale do Sambito e Vale dos Rios Piauí e Itaueiras tem apresentado aumento na média móvel de casos. Destaca-se Vale do Sambito que apresentou um aumento de quase 3 (três) vezes na média móvel, desde a 37ª semana epidemiológica (Média móvel = 9,6) até a 43ª semana epidemiológica (Média móvel = 27,9).

Figura 16. Média móvel e Taxa móvel de casos (10.000 hab.) de Covid-19, por regional de saúde, Piauí, 13ª a 43ª semana epidemiológica de 2020.

6 Média móvel e Taxa média de óbitos

As informações apresentadas a seguir referem-se à evolução da média móvel e a taxa média (10.000 habitantes) de óbitos da Covid-19, por semana epidemiológica.

A figura 18 apresenta as variações regionais nos casos de Covid-19 no Piauí, da 13ª a 43ª semana epidemiológica. A maioria das regionais tem apresentado estabilidade e reduções na média móvel de óbitos e na taxa média nas últimas semanas epidemiológicas. No entanto, as regionais de Carnaubais e Vale dos Rios Piauí e Itaueiras tiveram um aumento na média móvel e na taxa média de óbitos nas últimas semanas epidemiológicas.

Figura 17. Média móvel e Taxa móvel de óbitos (10.000 hab.) de Covid-19, por regional de saúde, Piauí, 13ª a 43ª semana epidemiológica de 2020.

Equipe - Sala de Situação

  • Beatriz Fátima Alves de Oliveira - Enfermeira e Pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Piauí

  • Bruno Guedes Alcoforado Aguiar - Departamento de Medicina Comunitária (UFPI); Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN).

  • Emidio Marques de Matos Neto - Departamento de Educação Física, Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP).

  • Flávio Furtado de Farias - Curso de Fisioterapia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba.

  • Francisco de Tarso Ribeiro Caselli - Curso de Engenharia de Produção (UFPI).

  • Jefferson Cruz dos Santos Leite - Departamento de Matemática (UFPI).

  • Juliana Gonçalves de Sousa - Geoprocessamento (IFPI).

  • Juliana Soares Severo - Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Alimentos e Nutrição (UFPI).

  • Maria Zilda de Oliveira Conceição Lima - Engenharia Cartográfica e de Agrimensura (UFPI)

  • Osmar de Oliveira Cardoso - Núcleo de Estudos em Saúde Pública-NESP, Departamento de Bioquímica e Farmacologia (UFPI).

  • Péricles Luiz Picanço Jr. - Departamento de Transportes (UFPI).

  • Rita de Cassia de Lima Idalino - Curso de Estatística (UFPI).

  • Roniele Araújo de Sousa - Núcleo de Estudos em Saúde Pública-NESP (UFPI).